No texto anterior falamos como
funciona o salary cap e a luxury tax dos times da NBA, agora vamos tratar das
regras especificas que regem os salários dos jogadores. Vamos aprender o que
entra ou não no CAP, além de entender como funciona os salários mínimo e máximo
e a Larry Bird Exception.
Já sabemos o que é o espaço
salarial e também quais são os limites (e punições) impostos aqueles times que
não respeitam o CAP com a luxury tax. Mas o que entra no salary cap nas regras
gerais?
- Os contratos de jogadores ativos e inativos,
incluindo os bônus acertados; caso uma equipe adquira um jogador via troca no
meio da temporada, o salário dele conta inteiramente. Jogadores aposentados que
ainda tem contrato, via de regra, continuam contando no espaço salarial.
- Os contratos garantidos de
jogadores dispensados, menos descontos acordados. Os contratos dispensados que
foram parcelados também entram em sua parcela, como ocorreu com o Detroit
Pistons e Josh Smith na chamada Stretch
provision.
- Todos os tipos de cap holds.
Salário Mínimo
Assim como o salário mínimo da
“vida real”, o CBA determina que haja um valor mínimo a ser recebido pelos
jogadores visando proteger o mercado e os direitos “trabalhistas” dos atletas
da NBA.
Mas diferente da nossa
constituição, na NBA o salário mínimo não é igual para todos e sim variável de
acordo com o tempo em que o jogador está na liga. Desde o calouro até um
veterano com dez anos de NBA existem dez intervalos de valores dependendo do
atleta.
Por exemplo, para 2014/15 o valor
mínimo que se paga a um calouro (fora da escala de rookie) é de $507.336 enquanto que para um veterano de 10 anos ou
mais de NBA é de $1,44M. O valor mínimo entre esses dois intervalos muda de
acordo com as temporadas do jogador a que se refere.
Isso determina na prática, que um
agente livre, como Ray Allen, que tem 18 anos de NBA pode receber no mínimo
$1,44M. Já quem quiser assinar com Andray Blatche, que tem nove anos, tem que
pagar $1,31M.
Salário máximo
O salário máximo foi criado após
o lockout de 1999 que determinou que
os jogadores deveriam ter um teto salarial evitando assim contratos absurdos
que tornariam a NBA inviável.
Assim como o mínimo, o salário
máximo varia de jogador para jogador e possui normas específicas mais
complicadas que o seu irmão menor. Mas sua regra geral é simples e depende do
tempo de liga que o jogador tem.
- Se o jogador tem entre zero e
seis anos de NBA, o salário máximo inicial que ele pode receber é de 25% do
CAP, ou seja, $14,74M em 2014/15. Exemplo: O Dallas Mavericks ofereceu um
contrato praticamente máximo para tirar Chandler Parsons do Houston Rockets com
valor inicial em $14,7M.
- Se o jogador tem entre sete e
nove anos de NBA, o máximo inicial que ele pode receber é de 30% do CAP, ou
seja, $17,69M em 2014/15.
- Se o jogador tem mais de 10
anos de NBA, o máximo é de 35% do CAP, ou seja, $20,64M em 2014/15.
Essa é a regra básica, mas
existem exceções que fazem com que esse máximo seja maior em determinados
casos.
A primeira exceção atinge
diretamente aos calouros. Se um jogador cumpriu todos os quatro anos de seu
contrato de calouro respeitando a escala ou foi uma escolha de 2ª rodada do
Draft e também cumpriu quatro anos de contrato, ele pode receber mais que o
máximo de 25%, pulando para 30%, se atingir um dos seguintes critérios:
- For nomeado para algum dos times
All-NBA pelo menos duas vezes;
- For votado como titular para o
All-Star Game pelo menos duas vezes;
- For escolhido como MVP da NBA
pelo menos uma vez.
O máximo salarial deve ser
respeitado apenas no primeiro ano do próximo contrato, mas há regras que regem
o aumento salarial ano a ano.
Pegando como base novamente o
salário do Parsons, ele irá receber $14.7M em 2014/15, $15.36M em 2015/16 e
$16,02M em 2016/17. Podemos perceber que há um aumento de 4,5% a cada ano. Sem
utilizar-se de nenhuma exceção, esse é o aumento máximo de uma temporada para
outra que um time pode oferecer para um agente livre.
Se formos observar o novo
contrato de Chris Bosh com o Miami Heat, o aumento será de 7,5%, iniciando em
$20,64M e passando para $22,19M no próximo ano. Isso ocorre porque Pat Riley utilizou-se
de uma exceção para reassinar com o ala-pivô. Chamada de Larry Bird Exception.
Larry Bird Exception
Essa é uma exceção que visa
manter um jogador o máximo de tempo possível na sua equipe de origem, permitindo
que ele possa exceder o espaço salarial para renovar um contrato um agente
livre pertencente a ele mesmo, como ocorreu com Bosh e Heat.
Um time detém os chamados “Bird
rights” de um jogador quando ele passar três temporadas seguidas sem mudar de
equipe seja via free agency ou se for
dispensado. Isso significa que um jogador pode assinar três contratos seguidos
de um ano com a equipe ou assinar um contrato de mais de três anos que o time
detém o direito da LBE.
Quando um jogador for trocado, o
time que o adquiriu também terá o “Bird rights” do jogador caso ele cumpra os
requisitos e com isso pode renovar com ele utilizando essa exceção. Exemplo:
Rajon Rondo foi trocado pelo Boston Celtics para o Dallas Mavericks, agora o
time do Texas possui o direito de renovar com o armador ultrapassando seu CAP
na próxima offseason mesmo ele atuando apenas uma temporada com o time.
A diferença de um contrato
utilizando a LBE é que ele pode ter uma duração de cinco anos e ter um aumento
anual de 7,5%. Foi assim que o Miami Heat conseguiu manter Chris Bosh, pois o
máximo oferecido era maior que o máximo do Houston Rockets.
O “Bird right” permanece com a
equipe durante toda história do jogador, a não ser que o jogador seja
renunciado ou assine com outro time. Exemplo: Quando Lebron James trocou o
Miami Heat pelo Cleveland Cavaliers, o tempo do “bird right” dele foi
recomeçado e como ele assinou por apenas dois anos, na offseason de 2016, o
time de Ohio não poderá utilizar a exceção para renovar com ele, ou seja, o
máximo que o Cavs pode dar é igual a qualquer outro time da NBA. (Muito esperto
esse Lebron James).
Essa exceção tem também duas
outras ramificações, que são os Early-Bird Exception e o Non-Bird Exception.
Early-Bird Exception
Essa é uma versão mais simples (e
fraca) da exceção anterior. Também é utilizada para uma equipe assinar com um
agente livre próprio, mas possui um limite maior que seu irmão mais velho.
Os direitos da Early-Bird são
adquiridos quando o jogador passa dois
anos no lugar de três da regra anterior. E com isso um time pode renovar
com um jogador por 175% do seu salário anterior (sem ultrapassar o máximo) ou
104.5% do salário médio da NBA.
Uma renovação utilizando o
Early-Bird terá que ser de no mínimo dois anos de duração (esse mínimo de tempo
impede que um time utilize a EBE para assinar um contrato de um ano e em
seguida renovar pelo LBE completo) e o máximo de quatro anos.
A vantagem de um time com
Early-Bird é poder dar um aumento anual de 7,5% enquanto os outros times só
poderão dar 4,5%.
Um time também pode utilizar a
Early-Bird para igualar uma proposta de um time se o jogador se tornar um
agente livre restrito mesmo que o salário do primeiro ano seja menor que o
oferecido pelo outro time, pois a diferença de 3% do aumento possível pode ser
utilizada para igualar os valores.
Exemplo: Paul Millsap assinou
contrato de dois anos com o Hawks em 2013 e será agente livre no fim desta
temporada e o time de Atlanta não terá os direitos aos “Bird rights” dele,
possuindo apenas o EBE.
Como Millsap recebe 9,5M em
2014/15, o Hawks poderá oferecer um contrato com salário inicial de 16,62M
(175% de 9,5M) ultrapassando o CAP. Se considerarmos que esse valor é abaixo do
máximo, uma equipe que ofereça um contrato máximo pode tirar o ala-pivô de
Atlanta a não ser que o time da Geórgia consiga espaço salarial para um
contrato máximo.
Non-Bird Exception
Esse é a irmã caçula da Larry
Bird Exception e pode ser aplicada: aos jogadores que passaram apenas um ano
com a equipe atual; jogadores que tiveram seus direitos de Early-Bird
renunciados pela equipe que os possuía; e jogadores que teriam os LBE e EBE,
mas que foram trocados quando estavam em um contrato de um ano.
Essa exceção permite uma
renovação de 120% do valor do salário anterior, 120% do salário mínimo, ou o
valor de uma qualyfing offer caso o jogador
seja agente livre restrito. Com a NBE, o contrato pode ser de um a quatro anos
com o aumento normal de 4,5% por ano.
Jogadores que assinam no meio da
temporada contam como uma temporada inteira para os três casos de Bird rights.
Exemplo: Leandrinho assinou contrato
de apenas um ano com o Golden State Warriors, o time da California poderia
renovar com ele por um valor 120% maior que o salário atual do brasileiro
ultrapassando o CAP. O mesmo pode acontecer com o time que assinar com Amar’e
Stoudemire.
Qual a vantagem dessas três exceções?
Temos que lembrar que é uma exceção,
ou seja, o time pode utilizar as três acima citadas para reassinar com um
jogador seu por um valor maior que espaço salarial existente. Essa é a grande
vantagem para as equipes.
Exemplo: Caso uma equipe tenha
10M de espaço salarial vazio na offseason, ele poderá assinar com um jogador
ultrapassando o CAP utilizando-se de uma das exceções acima citadas. Assim o
New York Knicks pode oferecer um novo contrato para Carmelo Anthony mesmo
estando com quase nenhum espaço para isso, e o time usou a LBE.
Por que Larry Bird?
Quando essa exceção foi criada
pelo CBA de 1983, o ala Larry Bird iria se tornar um agente livre na offseason
seguinte e tentando não perder seu maior astro, a diretoria do Boston Celtics
sugeriu essa regra, plenamente aceita pela maioria.
Mas mesmo com a regra instituída,
curiosamente o Celtics renovou com Bird antes mesmo da offseason, sem
utilizar-se da exceção. O time de Boston renovou com Cedric Maxwell com a LBE.

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